A CIDADE DE AREIA

REBELIÃO DOS QUEBRA-QUILOS

1874 encontram o Município a braços com a revolta que teve início no povoado de Fagundes, comarca de Campina Grande, alastrando-se rapidamente por nove municípios paraibanos. Irineu Joflily aponta como causa principal o aumento dos impostos, cobrado pela Assembléia Provincial da Paraíba, por ordem do Governo Imperial.

Outros acrescentam a revolta da população ignorante contra a adição do sistema métrico decimal (que originou o nome dado aos rebeldes) ou o alistamento militar compulsório. O fato é que a horda dos Quebra-Quilos avolumou-se de tal maneira que a Paraíba toda tremeu de susto e o Governo Imperial teve de intervir enviando tropas para abafar o movimento. Areia dói tomada de assalto pelos sediciosos onde as autoridades, impotentes para contê-los, assistem à depredação dos bens públicos, especialmente a quebra desenfreada dos padrões sistemas métrica decimal.

O historiador Horácio de Almeida enfatiza a exacerbação religiosa como uma poderosa influência no ânimo dos rebeldes, provocada pela grave questão surgida entre a Igreja e o Imperador no caso de Dom Vital, bispo de Olinda, em luta contra a maçonaria. Muitos padres pregavam abertamente a revolta contra o governo.

Chega à Paraíba o 14° Batalhão de Infantaria sob o comando do general Severiano da Fonseca e um vaso de guerra que veio estacionar no porto de Cabedelo, onde mais de uma noite dormiu o Presidente da Província, Dr. Silvino Elvídio Carneiro da Cunha. Para Areia seguiu uma ala deste Batalhão, comandada pelo capitão Longuinho que se celebrizou pela crueldade com que tratou os vencidos utilizando o terrível “colete de couro”, uma espécie de suplício medieval que consistia em envolver o tórax da vítima num colete de couro cru molhado e deixá-lo secar lentamente. Esse processo causou a morte de muitas pessoas, imediata ou posteriormente. A rebelião durou dois anos causando sérios transtornos à vida da Província.



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